quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Broche "Evangelina" - Segunda Guerra Mundial - 1943


A capacidade de organização da Polícia Militar paulista e das organizações que se fundiram para formá-la sempre impressionam. O broche que aparece nesta postagem se refere a um desses casos.
Poucas pessoas nos dias atuais sabem que, Durante a Segunda Guerra Mundial diversas campanhas foram feitas para angariar fundos para o esforço de guerra aliado contra o nazi-fascismo aqui mesmo no Brasil.
Dessas campanhas, a mais conhecida foi a “FRATERNIDADE DO FOLE” que arrecadou fundos para a fabricação de aviões de caça para a Real Força Aérea, a famosa RAF.
A Força Policial também participou desse esforço numa outra campanha. O Coronel Edilberto de Oliveira Melo escreveu, no seu belíssimo livro “Asas e Glórias de São Paulo” a respeito de um trabalho feito juntamente com a Sociedade Hípica Paulista para arrecadar fundos para o esforço de guerra brasileiro.
Para entender o porquê desse nome na campanha é preciso saber quem foi Evangelina.
Evangelina Wright Paes de Barros Oliveira era neta do Coronel Edmundo Wright, inglês, ex-comandante do Regimento de cavalaria da Força Pública.
Em 1914, o Coronel, já tendo saído do Regimento, estando na Inglaterra representando o governo brasileiro na área comercial, lê as manchetes dos jornais  que estampavam o início da 1ª Guerra Mundial. Zeloso de suas raízes, se alista no exército inglês e é morto nos campos da França.
Passados vários anos, sua neta Evangelina se casa em 1942 e o casal resolve sair em lua de mel num cruzeiro marítimo pelas águas perigosas do atlântico sul daqueles tempos.    
       Em 16 de agosto de 1942 o submarino nazista U 507 usou dois torpedos contra o navio Aníbal Benévolo no qual o casal viajava, matando praticamente todos, só sobrevivendo quatro tripulantes.
Abaixo, o submarino alemão U-507 do tipo IX C, que afundou o Aníbal Benévolo:
Aqui, uma "visão artística" de como teria sido o torpedeamento se pudessemos estar submersos observado a cena:
Os torpedeamentos tiveram forte repercussão na sociedade brasileira e esse  que envolveu uma pessoa conhecida da Força Policial paulista, teve especial impacto. O Coronel Edmundo Wright era querido por todos e sua família frequentava as solenidades do Regimento.

Movidos pela tragédia, ainda em 1942, foi criada uma comissão para arrecadar fundos para a aquisição de um avião ambulância para as tropas brasileiras.
         O Correio Paulistano de 11 de dezembro de 1942 estampava:

Em 1943, os Paes de Barros, tradicional família quatrocentona paulistana, frequentadora da Sociedade Hípica Paulista, a família Wright, juntamente com o Regimento de Cavalaria da Força Pública, promoveram um show de equitação culminando com o famoso “carrossel” atraindo uma multidão que contribuiu na campanha.
         A verba foi entregue à Força Aérea Brasileira que, devido às necessidades da época, optou por adquirir outro tipo de aeronave ao invés de um avião ambulância.
Pelo acordo de empréstimo e arrendamento (lend-lease) dos EUA com os países aliados, foram fornecidos à FAB uma série de aviões, entre eles vários Vultee A-31 para treinamento e patrulha da costa brasileira.
A revista ASAS número 72 apresenta uma ilustração da aeronave adquirida através da campanha (prefixo AN590). Os responsáveis pela publicação gentilmente me autorizaram a reproduzi-la abaixo:

 
O evento teve bastante divulgação e o broche que aparece nessa postagem certamente estava presente naquele dia.

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